Fico feliz em perceber que o mundo corporativo está cada vez mais se permitindo ser humano. Aquela ideia de que a pessoa entra na empresa e vira a chave caiu por terra. Se havia algum resquício, nossa longa jornada de Home Office tem mostrado que isso é impossível.
O que tenho visto nas empresas como consultora é a ascensão da ideia – e até do termo – “Boas Conversas”. No que consiste? Mais do que uma conversa produtiva, em que ambas as partes se sentem ouvidas e consideradas, “Boas Conversas” têm nos ajudado a cultivar um novo mindset sobre a importância de estar atento às pessoas para além do que produzem, entendendo inclusive que o que produzem está intimamente ligado ao ambiente de trabalho e a capacidade de as pessoas se expressarem. Boas Conversas são o antídoto para um outro termo da moda: “Ambiente Tóxico”.
Mais importante do que falar é saber ouvir
Mais do que uma frase de efeito, é preciso colocar isso em prática. Saber ouvir é a capacidade de entender – e acolher! – a visão do outro sobre determinado assunto, por mais diversa e antagônica que seja em relação à nossa. Aqui, chegamos ao conceito de Escuta Ativa, tratado por muitos como uma técnica que sugere o seguinte:
- Ouça atentamente: escute verdadeiramente sem pensar na próxima pergunta ou imediatamente trazer um caso seu para a conversa. Quem nunca disse que estava com dor de cabeça e o interlocutor imediatamente trouxe uma dor sua muito maior?
- Não julgue: costuma ser bem difícil, porque trazemos para nossas conversas os nossos valores, sentimentos e vieses. É complexo se despir disso para ouvir. Um bom começo é sempre buscar ter consciência de que este processo está acontecendo o tempo todo. O negociador e escritor William Yuri, autor de “Como chegar ao sim” e “Como chegar ao sim com você mesmo” (ambos publicados pela Editora Sextante no Brasil) traz uma ideia incrível que é “ver a si mesmo a partir do camarote”. Ele diz: “Não precisamos reagir. Em vez disso, podemos aprender a nos observar”.
- Confirme seu entendimento: em conversas mais subjetivas – às vezes em meio a conflitos – é importante confirmar nosso entendimento sobre o que o outro está dizendo. Para isso, podemos refrasear a fala e confirmar: é isso que você está querendo dizer?
- Seja empático: procure se colocar no lugar do outro. Isso é sempre muito difícil e complexo pois, naquele instante, o outro e nós também trazemos toda nossa bagagem para a conversa. Mas é um exercício! Recomendo este vídeo aqui Muitos tratam a Escuta Ativa como uma técnica, mas eu prefiro entender o conceito como um estado de presença. Presença total no presente, como um estado meditativo, que nos mantém no aqui agora, sem pensar na próxima pergunta ou ficar elocubrando desfechos.


